Descrição

O terreno, com área total de 4.885,17m², está localizado na Rodovia Professor Alfredo Rolim Moura, em frente à Universidade de Mogi das Cruzes e em proximidade imediata a importantes equipamentos urbanos, como prédios públicos, o Mogi Shopping e a Estação Estudantes. Essa localização privilegiada insere o projeto em uma paisagem dinâmica e de grande circulação, marcada pelo fluxo constante de estudantes, moradores e visitantes.

O lote foi escolhido justamente por sua conexão direta com a universidade e pelo potencial de projeto oferecido pelos desníveis naturais do terreno. Sua extensão considerável e a topografia marcada foram entendidas não como obstáculos, mas como oportunidades para a criação de diferentes platôs que dialogam com o espaço urbano. Assim, a solução adotada prevê a organização do terreno em três grandes patamares interligados por escadas, garantindo fluidez no percurso e integração com a malha de circulação existente.

Cada loja voltada para as calçadas conta com um platô independente, o que gera uma relação mais ativa com o pedestre e fortalece a ideia de continuidade da fachada ao longo do percurso urbano.

O estudo de insolação revelou ainda a forte influência do edifício vizinho, cuja sombra cobre a parte frontal do lote até as 10h da manhã. Essa condição foi considerada estrategicamente na implantação do programa, aproveitando as áreas menos iluminadas para funções que não dependem da luz natural, como o auditório.

Volumetria e Programa


Maquete 3D renderizada. Fonte: do Autor.

A proposta volumétrica parte da ideia de multiplicar os térreos, criando diferentes acessos em níveis distintos. Essa estratégia permite que o público se aproprie do edifício a partir de variadas perspectivas, vivenciando-o como um espaço aberto, permeável e integrado à cidade.

O programa foi organizado de modo a privilegiar a atividade das fachadas: as áreas comerciais e de serviços concentram-se nos pavimentos mais próximos ao nível da rua, incentivando o movimento de pedestres e a vitalidade urbana. Já os blocos destinados ao ensino, auditório, coworking e setor residencial foram alocados nos pavimentos superiores, de maneira a garantir maior privacidade e integração com os espaços de convivência.

A frente do lote, marcada pelo sombreamento causado pelo edifício vizinho, recebeu o auditório – espaço que não depende da luz natural e que funciona como um primeiro ponto de atração para estudantes e visitantes. Acima dele, foi projetada uma praça suspensa, criando uma nova camada de convivência e oferecendo áreas de estar integradas ao setor educacional e ao coworking. No caso dos moradores, o acesso exclusivo a espaços de convivência reforça a ideia de pertencimento e comunidade.

A circulação é pensada como um conjunto de caminhos, praças e vazios que quebram a sensação de grande comprimento do lote. Esses percursos, distribuídos em diferentes patamares, estimulam a caminhabilidade e oferecem uma sequência de experiências visuais e funcionais ao usuário.

No total, o projeto destina 1.046,39m² a áreas permeáveis, o que representa quase 21% da área do lote. Além disso, pátios nos pavimentos superiores incorporam lajes verdes que contribuem para a retenção e o escoamento controlado das águas pluviais, ampliando o caráter sustentável do edifício.

A linguagem arquitetônica das fachadas comerciais é marcada por uma cobertura fluida em chapas metálicas perfuradas, cortadas e dobradas, apoiadas em estrutura metálica leve fixada ao concreto. Esse elemento confere dinamismo ao conjunto, filtrando luz, criando sombras e fortalecendo a identidade do edifício no tecido urbano.


Materiais utilizados na fachada. Fonte: do Autor.

Conclusão

O projeto busca transformar um lote extenso e desafiador em um espaço de integração entre cidade, universidade e moradores. Através da criação de múltiplos acessos, caminhos e espaços de convivência, o edifício não se fecha em si mesmo, mas se abre como uma extensão do espaço público.

Assim, a proposta valoriza a caminhabilidade do pedestre, oferece diferentes possibilidades de apropriação e cria uma volumetria que, ao mesmo tempo em que responde às condicionantes do terreno, contribui para uma paisagem urbana mais viva, conectada e convidativa.


Render da fachada. Fonte: do Autor.